segunda-feira, dezembro 20, 2004

LISBOA - BORBA

Pois amigoz,
como já há muito tempo andava para o fazer, este fim de semana é que foi de vez.

Sair de casa e só parar em Borba, terra da Sra. minha Esposa, num total de 185 km sem relevo significativo, apesar de ainda conter uma ou outra subidita mais puxada.

O vento desta vez ajudou em metade do percurso e prejudicou na última metade, isto porque o vento de manhã estava de Noroeste, mas foi rodando ao longo do dia, até terminar num Nordeste a descair para Este, e sempre moderado.

Ainda assim, e tendo sido feito a solo, a média final ficou nos 30,4 km/h com o tempo total de 6h42 (6:05 de ride time).

Para a semana temos o Tróia-Sagres que será feito em pelotão, pelo que o esforço deverá ser semelhante dado a maior quilometragem.

Se o vento estiver de norte como este fim de semana, o record deverá ser batido na certa...

R


terça-feira, dezembro 14, 2004

CASA DO RICARDO - CASA DO MARIO

Esta época que estamos a atravessar, a do Tróia-Sagres, trás-me à memória uma travessia que efectuei na véspera do dia de Natal do ano 2001 (Odisseia na "Planície"), e que ligou a minha casa (Sta. Iría de Azóia) á casa do meu primo Mário (em Beja), onde se iria realizar a ceia de Natal nesse ano.

Perguntei a várias pessoas na altura se me queriam acompanhar, mas todos arranjaram a mesma desculpa esfarrapada de que também tinham família e que por acaso não morava em Beja... Desculpas!

Sendo assim e depois de ter amadurecido esta ideia durante mais de 36 horas na minha cabeça, decidi o caminho que haveria de tomar.

Casa - V. Franca de Xira - Vendas Novas - Montemor-o-novo - Ferreira do Alentejo - Beja

Este percurso foi feito com a minha fiel montada "Marin Bear Valley da colheita de 1997" e com uns fabulosos pneus IRC (Internacional Racing Cardado) 26x1.95

Já agora, e para os milhões de portugueses que vivem em Santa Iría de Azóia e têm família em Beja, deixo aqui uma descrição do que vão encontrar caso queiram ir de bicicleta para casa dos primos:

Casa - V. Franca de Xira = 15 km

Partida por volta das 6:40 da manhã, ainda completamente escuro, mas como o dia estava quase a nascer e eu tinha previsto chegar por volta das 3 da tarde, não valia a pena ter o trabalho de montar a luz e o carregar peso extra durante todo o percurso.

Este troço é feito a uma média de 20 km/h para aquecer o coração, uma vez que estavam cerca de 4/5 graus acima de zero.

Chegado a V. franca, jogo-me para a margem sul do Tejo através da ponte da cidade.

V. Franca de Xira - Vendas Novas = 60 km

Segui depois pela imensa recta que me levou ao Porto Alto. Nesta recta para terem ideia do frio que estava, fui constantemente bombardeado por gigantescas placas de gelo (do tamanho de para-brisas) que saltavam do topo dos atrelados dos camiões TIR. Bastava que uma delas me tivesse apanhado para não estar aqui a escrever com esta rapidez toda - assustador...

Aqui o forte vento contra também já se fazia sentir. Porto Alto, Santo Estevão, Taipada, Pegões e lá fui eu riscando todos estes pontos do meu caderninho, com a media nesta altura a subir para os 25 km/h. A estrada neste troço é boa e tem poucos carros a estas horas matinais, mas quando passam por nós é sempre a mais de 120, o que nos obriga a uma constante atenção ao que se aproxima por trás (o que aliás aplico ao resto dos dias do ano).

Passados 75 km desde o início, chego a Vendas Novas - a terra dos "Reis" das bifanas e das empadas - e paro para comer uma bela empada.

Quando me preparo para subir para a bicicleta e regressar à estrada... TAU!!!!
1ª cãimbra aos 75 km... isto não pode ser verdade... ainda me faltam... 140 km!!!

Alongamentos no chão, 10 minutos de respiração e siga para bingo...


Vendas Novas - Montemor-o-novo = 30 km

Sempre com vento forte de frente, fiz estes 30 km a penar uma vez que o vento obrigava-me a pedalar até nas descidas, e também porque este troço continha algumas zonas de sobe e desce que nestas condições já eram suficientes para fazer estragos.

Á entrada de Montemor, cortei á direita para Alcáçovas.


Montemor-o-novo - Ferreira do Alentejo = 80 km

Para terem outra ideia do vento que estava, quando virei á direita para Alcáçovas, entrei numa estrada antiga de empedrado, não estava bem com o vento pelas costas, mas estava de maneira suficiente para a direito ir a cerca de 50 km/h... foi pena é só ter durado uns minutos.

No total, nestes cerca de 80 km cruzei-me com cerca de 4 a 5 carros no máximo, isto a meio da tarde, e foi por ventura a estrada de alcatrão mais isolada em que pedalei até hoje.

A meio deste troço, em Alcáçovas, uma terra no meio de nenhures, parei num tasco repleto de homens de bigode onde estava a dar um jogo de futebol, e entrei para comer qualquer coisa e tentar recuperar o que pudesse ser recuperado deste monte de carne que vinha em cima da bike.

Digamos que para desmontar tive que cair para o lado, pois elevar a perna à altura do selim poderia ter consequências imprevisíveis. Entrei com aquele andar novo, todo em licra avermelhada e capacete azul bébé... "Queria um nectar light e uma sandes de queijo sem manteiga, se faz favor."... Nem preciso contar o resto pois não. Alcáçovas never more.

Numa estrada isolada e sem relevo arrastei-me até Ferreira do Alentejo já com o sol a acasalar com o horizonte. Faltavam os últimos 25 km. Não consigo!

Ferreira do Alentejo - Beja = 25 km

Terreno liso, ou quase, já com noite cerrada a partir de metade do troço, encostadinho á berma para não ser passado a ferro, e que foi um dos maiores desafios psicológicos que tive até hoje.

Cheguei ao fim dos 210 km com mais de 13 horas de sacrifício e estabeleci o meu record de distância.

Digamos que na ceia de natal, metade foi para mim e metade para os outros 30 elementos da minha família. Depois foi dormir no sofá, enquanto me atiravam prendas para cima...

R




segunda-feira, dezembro 13, 2004

CONSTIPAÇÃO Nº 67342

Não sei se já foram tantas, mas que já me parecem ser demasiadas lá isso parecem...

No final de Sexta, no Sábado e no Domingo estive de molho, a bombar nos Actifeds e nas Aspirinas. Hoje estou melhor do pingo, dos espirros e das dores no corpo, mas estou pior da tosse... Dasse! Vamos lá a ver se me ponho fino antes do Tróia-Sagres.

Talvez no Domingo e caso esteja melhor, vá correr os 8,7 km da Corrida de Natal, que parte do Estádio do Glorioso e termina nos Restauradores. O ano passado fui lá e passei as passas do algarve com o calor que estava, este ano deve ser com o frio.

R

sexta-feira, dezembro 10, 2004

BODY ATTACK

Literalmente....

Tou que nem posso.

6 horas de bike = porreiro
45 minutos de body attack = andar novo

ele há coisas...!

R



PASSEIO DE "CACILHAS"

8:15 - Desligo o carro e digo para mim mesmo "Já sabia que este pessoal se ia atrasar todo. Nem vestígios de Holmes no pedaço", aproveito para apreciar a fauna local de Cacilhas.

8:20 - "Mau. Se calhar é melhor ligar ao Messieur President, não vão os gajos ter desistido e não me avisarem como é costume. 9629.... .... .... .... Estou? .... Vá lá , já acordaste! ... Escuta lá, então o que é que andam a fazer que nunca mais cá chegam? ... Já aí estão?? ... Sim Sim , vá diz lá? Trafaria? É onde eu estou... Cacilhas,Trafaria, não é tudo a mesma coisa? ... Ai não?"

Pois, tinham-me falado em cacilheiros e depois queriam que eu descobrisse sozinho que tinham acabado de construir outro cais para os cacilheiros para os lados da Costa...

4 minutos depois estava a chegar à "Trafaria", e só lá estavam o President e o Professor.
O Jesus que é local népias. E depois o outro que pensa sempre que tem tudo que esperar por ele... e desta vez trouxe um "amigo" dele! (Não vou comentar...são opções).

Depois de tudo pronto demos uma volta de 105 km com o seguinte itenerário:
"Trafaria"
Costa Caparica (down town)
Costa Caparica (cabras!)
Fonte da Telha
Não sei quê, não sei que mais...
Cruzamento para o Meco
Praia do Meco
Não sei quê, não sei que mais...
Zona de Sesimbra
Azeitão
Casa do Nogat
Não sei quê, não sei que mais...
Almada
Não sei quê, não sei que mais...
"Trafaria"

Média = +- 28 km/h

Grupo homo...géneo, menos eu que me destaquei como o caraças.


R





MARATONA DE LISBOA - 5 de DEZEMBRO

Não, não participei...
Mas nesse dia fiz um treino de bike para os lados de Lisboa e sem querer acompanhei a partida da prova na zona do Terreiro do Paço.

Partida... PUM!!!
E pronto, durante 42km vão uns gajos a correr a cerca de 20 km/h... Acompanhei-os de bicicleta até ao km 9 e o meu conta quilómetros não me deixa mentir... ora a 20 ora a 21 km/h. Para baixo disse é que eles não desceram, nem mesmo com um vento contra a fugir para o moderado... I-M-P-R-E-S-S-I-O-N-A-N-T-E!!!

NOTA: Quando for grande quero ser assim...

Cheguei a casa ao fim de 90 km sem nunca tirar a corrente da talêga, nem mesmo na subida a 38% para a minha casa.

Média da volta = 26km/h (com 9km feitos ao ritmo dos melhores maratonistas :) )

R







segunda-feira, dezembro 06, 2004

O Perú !!!

O pobre agricultor de Entre-Douro-e-Minho chegou, mais uma vez, cansado e empoeirado à sua modesta casa. Daquela vez não sentiu o habitual cheiro do jantar de papas de sarrabulho que invariavelmente a sua mulher lhe servia. Entrou e ouviu relinchar na cozinha. Esfregou os olhos e fitou o imenso marsapo equino que a sua mulher deglutia com gula. Era o alazão do pároco, que tinha vindo cumprir as suas obrigações pastorais. O padre Matias enfiava-lhe o nabo, bem untado de sebo-de-hollanda, no anús tumefacto e arroxeado. Um cigano todo sujo limpava o esperma sediço, nos cabelos da sua esposa, enquanto Tejo, o fiel cão-pastor, ejaculava em cima da malga das migas de broa.
-"Bons olhos o vejam amigo Venâncio!" - Disse o padre. -"Estava aqui a confraternizar com a Dona Eufrásia. Também trouxe aqui um amigo, o Lelo. Ele é o novo sacristão, enquanto o Sandro Vanderlei não recupera da overdose de esteróides anabolizantes que apanhou. O pobre coitado queria ter mais músculos...Sabe? Ele é um bocado fraco da cabeça. Mas enfim, por enquanto desenrasco-me aqui com o Lelo que acampou no átrio ontem." Lelo tirou uma valente chapelada ao agricultor enquanto o padre Matias limpava a verga a um pano da loiça bordado por Eufrásia. -" Pois é, pois é...Cá vamos indo. Bom, vou andando que ainda tenho que ir visitar o orfanato." O agricultor acenou-lhe em silêncio, esboçando um sorriso. A mulher ainda disse: " Mande sempre Sr. Prior!". O Padre pegou na rédea do cavalo e saiu.

Eufrásia deu um sonoro peido com malho e afastou-se em direcção à sala, deixando um rasto de esperma e fezes liquefeitas.

O agricultor pensou que talvez o seu casamento estivesse numa daquelas fases de crise e cortou um bocado de broa, afastando o cão-pastor, que entretanto adormecera em cima do pão.

Pelo canto do olho, reparou que afinal o cigano Lelo ainda ali estava. O étnico raspava lascas de esmegma (*) seco do malho, enquanto cantava: " Ai, tani tani...", entretido que estava na tarefa. Também tirava lascas de sarro dos dentes que dava a comer ao cão. Este saltava abanando cauda para os pitéus que Lelo lhe deixava cair na boca. A mulher do agricultor raspava o corrimento seco das cuecas pútridas que já não mudava há mais de três quinze dias. -" Isto no Inverno não está para secarmos roupa. Há que poupar".

O agricultor ligara a televisão para ver as noticias. - "Boa noite." - Disse a Manuela Moura Guedes na TV. - " O Governo decretou hoje, pelas 16 horas, o estado de calamidade pública (...)" - O agricultor mudou de canal. Na SIC estava a dar um talk-show em que estavam a entrevistar a N. Senhora de Fátima. - " Essa vacarrona de Lourdes é uma impostora!" Eu se a apanho meto-lhe (...)". Mudou outra vez de canal. Estava a dar a inauguração do Estádio de 200.000 espectadores do Desportivo das Aves, para o Euro 2004. O agricultor, cansado, adormeceu em menos de um minuto. A mulher pôs a as cuecas na barrela. O cão teve uma polução nocturna em cima da canastra das cebolas. O cigano tinha saído porque tinha sido realojado num apartamento duplex de 400 m2, com vista para o mar, que o Ministério do Emprego e Solidariedade Social lhe tinha atribuído em razão de um programa de erradicação de barracas.

O agricultor sonhava com uma enorme cruz de 700 metros de altura, enquanto a mulher zurzia o filho mongolóide que tinham escondido num galinheiro há já vinte e dois anos.

(*) Esmegma - substância branco-amarelada constituída por sebo e células do epitélio que se acumula nos orgãos sexuais.

FIM